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quinta-feira, 28 de julho de 2011

No final tudo dará certo [ou não] II

Ele me ligava todos os dias e sempre reforçava que me amava e que não era um mero sentimento adolescente e que mais cedo ou mais tarde ficariamos juntos novamente. Eu curtia aquelas ligações, mas sabia que uma hora não teriamos mais tempo ou qualquer outro motivo para nos ligarmos.
Depois de dois meses quase não nos falavamos por telefone, só por carta e e-mail. Eu sempre fui muito de escrever cartas, adorova muito escrever cartas pra ele. E ele sempre respondia, mesmo que demorasse muito tempo. (eu realmente o amava.)
Certa vez recebi uma carta dele e nela tinha uma noticia estupidamente desagradável:
"(...) Eu te amo, não preciso mais te dizer isso toda hora, você sabe muito bem. Nesses últimos meses conheci pessoas muito legais, uma delas é essa aí da foto, ela se chama Luiza e eu gosto bastante dela, não como eu gosto de você. Não sei como te dizer isso, eu tinha que contar antes que todos saibam... Uli, eu to namorando... (...)"
Não preciso dizer que aquilo acabou comigo, preciso? Chorei muito durante toda a noite e acordei com a cara super inchada, mas resolvi superar aquilo e parei de responder as cartas que ele me mandava, a última carta que respondi havia escrito: "Tudo certo. Felicidades." E não respondi a mais nenhuma, até que Johan parou de me escrever e de mandar e-mails. Foi uma decisão dura, mas pra mim era preciso.

domingo, 3 de abril de 2011

Mais uma vez

Mais uma vez um sonho estranho, mais uma vez era você nele.
Mais uma vez eu fiquei atordoada e mais uma vez eu não sei o que fazer. Mas nenhuma vez você me desprezou.
Lá você me queria, me queria bem, me queria ali bem pertinho. E é assim que eu vou estar, mesmo longe, bem pertinho.

domingo, 18 de outubro de 2009

O último carnaval

Aquela música, baixinha, ouvia-se ao longe... Ela já sabia, aqueles sininhos que se aproximavam e de repente paravam em frente ao seu portão, ela já saia. Levava consigo algumas moedinhas e seus olhos gulosos brilhavam, tomava as duas cocadas em suas mãos, sorria para Seu Gil e entrava serelepe.
Havia anos que ela evitava os doces, mas agora não adiantava mais, engordar ela não iria mais, celulites ou colesterol alto não a atingiriam mais. A enfermidade a consumia, ela estava pele e osso... e qual é a graça de esperar pela morte sem comer doce? Ah, não! Oxe! Ela tinha mais era que curtir a vida, e isso ela fazia bem, nunca vi menina mais animada, acho que porque, no fundo, ela sabia que aqui era só uma passagem.
Ela sorria o tempo todo, cantava e quando a doença dava uma trégua, ela se danava pelas ruas, bares e boates da cidade. Amava o carnaval, subia e descia todas as ladeiras de Olinda e emendava no Recife Antigo, era forte e saudável. Quem diria? Ninguém, jamais, diria que ela tinha um câncer. Era modelo, era linda, um sorriso verdadeiro, uma mente extraordinária, conversava coisas que modelos normais (hahahaha) não conversava. Era inteligente horrores, assustava até.
Nunca nos disse qual câncer tinha, quando ficou careca, comprou lenços lindos e coloridos (a cara dela).
No último carnaval, brincou todos os dias e o dia todo, foi pro Bacalhau do Batata e no fim da tarde chamou todos os amigos, disse o quanto nos amava, e lá sentada fechou os olhos e se foi. Sorrindo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sorriso estúpido

Um sorriso me escapava encrenqueiro pelo canto da boca, eu não podia rir naquela ocasião. Me contorcia para não dar vexame, me controlei, mas não deu, sai correndo desembestada. Quando cheguei num lugar mais reservado, soltei uma gargalhada estúpida.

Mais tarde soube dos comentários: “Coitada, não conseguiu ver seu Fagundes ser enterrado”. Na realidade, alguém, só de maldade, passou batom vermelho nos lábios de seu Fagundes e eu não poderia prender aquela gargalhada estúpida. Sim, eu deveria estar consternada e orar caridosamente pela alma dele, mas conhecendo seu Fagundes como eu conhecia... o velho era escroto, e tenho certeza que ele também tava morrendo de rir, enquanto todos se perguntavam por que seu Fagundes, tão saudável, foi-se de supetão. Ora! Era óbvio que ele tava cansado da hipocrisia do mundo; certo ele.

domingo, 29 de março de 2009

Debaixo da lua I

Na oitava série éramos muito amigos, ele ia lá pra casa e nós conversávamos, jogávamos, estudávamos, contavamos para o outro nossos segredos e ele gostava de fazer brigadeiro pra gente, nunca fui boa fazendo brigadeiro. Passávamos horas na locadora escolhendo filmes. Às vezes os de terror, ou os alternativos, ou os de comédia romântica - que ele detestava, mas mesmo assim pegava, ou ficção, bang-bang... Sempre levavamos 4 ou 5 filmes e assistiamos todos comendo brigadeiro e pipoca. Era o máximo. Fugiamos para ir à shows e escondiamos um grande amor, esse era o único segredo que não sabiamos um do outro.
Nos formamos e a comemoração foi uma viagem. Foi nessa viagem onde tudo começou; ele me beijou e disse que me amava e que sempre me amou desde a quinta série e que agradecia a Deus pela nossa aproximação na oitava série. E que precisava saber se eu pelo menos gostava dele. Ele despejou tudo e a única coisa que consegui fazer foi sorrir, de repente eu gargalhava e de repente eu chorava também. Era óbvio que eu o amava, tava mais que na cara.
Namoramos 6 meses e no meio do primeiro ano do ensino médio ele teve que se mudar junto com a familia para outro estado. Acabamos. Eu chorava todas as noites.